segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Presidenciais 2011


Ontem foram as eleições para presidente da República Portuguesa e, pela primeira vez, começou-se a vislumbrar algum discernimento na cabeça da população Portuguesa.

Foram as presidenciais em que se obteve uma maior abstenção

Os Portugueses andam descrentes, mas irrita-me profundamente que as pessoas, na maior oportunidade que têm para mostrar a sua insatisfação, não aproveitem.
Talvez as pessoas não percebam... mas não é muito difícil de perceber que 55% de eleitores fazem TODA a diferença e que podem mudar tudo. Idealmente poderiam-se tornar em 55% de votos brancos/nulos e isso iria, sem dúvida, revolucionar o país.

Deixo uma introdução ao Ensaio sobre a Lucidez, de José Saramago, para tentar que as pessoas percebam a importância do voto branco:
Num país qualquer, num dia chuvoso, poucos eleitores compareceram para votar, durante a manhã. As autoridades eleitorais, preocupadas, chegaram a supor que haveria uma abstenção gigantesca. À tarde, quase no encerramento da votação, centenas de milhares de eleitores compareceram aos locais de votação. Formaram-se filas quilométricas, e tudo pareceu normal. Mas, para desespero das autoridades eleitorais, houve quase setenta por cento de votos em branco. Uma catástrofe. Evidentemente que as instituições, partidos políticos e autoridades, haviam perdido a credibilidade da população. O voto em branco fora uma manifestação inocente, um desabafo, a indignação pelo descalabro praticado por políticos pertencentes aos partidos da direita, da esquerda e do meio. Políticos de partidos diferentes, mas de atuações iguais, usufruindo de privilégios que afrontavam a população. Os eleitores estavam cansados, revoltados.
http://pt.wikipedia.org/wiki/Ensaio_sobre_a_Lucidez
Foram as presidenciais onde houve maior número de votos de protesto!
Presidenciais: Principal dado é o "voto de protesto", André Azevedo Alves

23 de Janeiro de 2011, 20:57

Lisboa, 23 jan (Lusa) -- O politólogo André Azevedo Alves apontou hoje como principal dado das eleições presidenciais, com base nas projeções e resultados provisórios o "voto de protesto", que inclui "votos brancos, nulos e em José Manuel Coelho".

Em declarações à Lusa, o especialista da Universidade de Aveiro considerou como "maior surpresa" desta noite o resultado do candidato madeirense, apoiado pelo PND, que se confirmar o resultado de quatro por cento merecerá nos "próximos dias e semanas uma reflexão".

Face aos números de votos apurados até às 20:30, Azevedo Alves sublinhou que os votos brancos terão quadruplicado e os nulos mais que duplicado.

"Mais o resultado de José Manuel Coelho, temos cerca de 10 por cento no que podemos enquadrar o voto de protesto, o que manifesta claramente que estes eleitores não se reviam nas opções disponíveis", notou.

O politólogo não deixou de destacar a hipótese de se registar nestas presidenciais a maior abstenção de sempre e garantiu que a reeleição de Cavaco Silva à primeira volta não surpreende, embora não repita as hipóteses de uma grande vantagem sobre os adversários como chegou a ser avançado.

"Cavaco Silva é o vencedor cumprindo os mínimos, ao ter, em termos percentuais, resultados ligeiramente acima dos 50 por cento -- 53 ou 54 por cento", referiu.

Aproveito ainda para somar a estes cerca de 10%, os 14% de votos do Fernando Nobre, que apesar de um voto pela cidadania, são também um voto de protesto contra a política atual.
Assim somam-se cerca de 24% de votos de protesto. Um valor que, espero, abra uma revolução na política Portuguesa dos próximos anos.

Fernando Nobre apareceu "do nada" e conseguiu um resultado histórico. As pessoas acreditaram numa pessoa que tem um perfil limpo e quiseram mostrar que estão fartas de esterco e corrupção na política nacional!Apesar de tudo, várias foram as pessoas entrevistadas que assumiram que não iam votar no Fernando Nobre "por não parecer muito político", sendo que é essa a maior qualidade do homem.
Aplaudo-o e apoio qualquer intenção do mesmo de formar um governo de pessoas competentes, integras e honestas, ou seja, nada de políticos...
...Chega de partidos políticos. Queremos gente competente, queremos gente que queira ajudar o país e que não o façam afundar mais e mais...Chega de esquerda, direita e centro, conceitos ultrapassados. Hoje só há um caminho, Portugal forte em todos os lados, com empresas apoiadas e com um povo compreendido e motivado... tudo para conseguirmos levar Portugal ao topo!Chega de interesses, chega de mesquinhes, chega de por sempre o eu à frente do nós!

Portugal é agora ou nunca.

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